Culturas de tecidos e micropropagação. O futuro da propagação de plantas?

No artigo de hoje, pode alargar os seus horizontes de cultivo e descobrir uma nova tendência global na área da clonagem de plantas através de culturas de tecidos. Trata-se ainda de um método de multiplicação de plantas menos conhecido do que o seu cultivo (propagação) a partir de sementes ou estacas, amplamente conhecido, que durante muitos anos foi também a única forma de multiplicar plantas.

plant-tissue-culture-facility-g4d0be3a0b_1920

O que é a micropropagação de culturas de tecidos?

Para responder a esta pergunta, é necessário começar por estabelecer algumas distinções entre os termos micropropagação e cultura de tecidos. Qual é, então, a diferença entre eles e em que se relacionam? 

O processo de micropropagação requer uma cultura de tecidos para multiplicar as plantas. Estes dois termos são frequentemente confundidos. A principal diferença entre a micropropagação e a cultura de tecidos reside no facto de a micropropagação significar, na prática, a produção controlada de um grande número de plantas a partir de uma pequena quantidade de material vegetal, enquanto a cultura de tecidos pode também ser considerada, para efeitos de multiplicação de plantas, a etapa inicial da micropropagação. Daí a expressão micropropagação de culturas de tecidos.

Micropropagação:

  • Multiplicação de plantas através do cultivo de pequenas plantas numa cultura de tecidos e da sua posterior plantação
  • As duas etapas são o cultivo de tecidos e a introdução de novas plantas no solo.
  • É utilizada para produzir um grande número de clones.

Culturas de tecidos:

  • Técnica de manutenção e cultivo de células, tecidos ou órgãos vegetais, sobretudo num meio artificial, em recipientes adequados e num ambiente controlado.
  • As três etapas são a introdução do explante no meio de cultura de tecidos, a multiplicação e o início da formação de raízes.

mikropropagace2

Esta técnica de clonagem utiliza culturas de células vegetais. Estas são cultivadas em placas de Petri esterilizadas. Tal como acontece com as estacas tradicionais, o processo começa com uma planta-mãe. No entanto, dela é retirado apenas o chamado explante, ou seja, uma amostra vegetal, que é depois colocada num ambiente esterilizado, normalmente um meio gelificado nutritivo que contém nutrientes vitais, incluindo vitaminas e hormonas que estimulam o desenvolvimento de rebentos e raízes da planta jovem.

Um ambiente de clonagem controlado permite conservar a cultura de tecidos durante um período praticamente ilimitado, até ao momento em que o cultivador decide utilizar a amostra. Quer se pretenda promover o crescimento, a formação de raízes ou a multiplicação da amostra vegetal, estes processos podem ser iniciados a qualquer momento através da adição de outras soluções com um elevado teor de nutrientes e hormonas. Depois, assim que a planta se desenvolver suficientemente em todos os aspetos e estiver pronta para se multiplicar, formam-se clones idênticos em números excecionalmente elevados.

Já deverá ser claro para o leitor atento que o trabalho quase laboratorial com culturas de tecidos vai além da própria jardinagem indoor, aproximando-se da microbiologia, e exige, por isso, um ambiente excecionalmente limpo. No entanto, se gosta de experimentar, avance. Basta-lhe um conjunto doméstico de micropropagação. Um ambiente inicial esterilizado é essencial para as plantas jovens, a fim de evitar o aparecimento de pragas ou doenças vegetais.

Quando a genética é prioritária

Uma vantagem indiscutível das culturas de tecidos é o facto de os clones permanecerem geneticamente idênticos à planta-mãe.

Também neste aspeto, a clonagem através de culturas de tecidos se destaca dos métodos clássicos, uma vez que é mais precisa e limpa, permitindo assim ao cultivador garantir a genética de plantas exatamente como pretende. Os clones cultivados tradicionalmente também são, em geral, mais suscetíveis a doenças e podem sofrer mutações genéticas em relação à planta-mãe original.

Por isso, as culturas de tecidos são cada vez mais utilizadas para obter uma genética específica de elevado valor.

A estabilidade genética é muitas vezes uma prioridade no mundo do cultivo, e a micropropagação de culturas de tecidos responde perfeitamente a essa necessidade.

Por outro lado, em comparação com os clones, o cultivo de novas plantas a partir de sementes não é muito recomendável do ponto de vista da estabilidade genética. Além disso, todo o processo é mais demorado e dispendioso, sobretudo quando se pretende cultivar ervas aromáticas com propriedades medicinais, que geralmente enraízam com relativa facilidade e rapidez.

Uma solução para cultivadores comerciais e de menor escala

Sem dúvida, trata-se não só do futuro, mas também, em muitos casos, já do presente para os cultivadores comerciais. As culturas de tecidos são já utilizadas regularmente, por exemplo, por grandes cultivadores de bananas. Este método de clonagem de plantas, em que milhares de novos exemplares são produzidos em pouco tempo a partir de culturas celulares armazenadas, revela uma eficácia excecional em grande escala. A produção de clones convencionais, da forma que conhecíamos até agora, exige cuidados e atenção constantes às plantas-mãe. Se nos centrarmos nas populares e frequentemente mencionadas variedades autoflorescentes (autoflowering), a manutenção prolongada das plantas-mãe torna-se, na prática, uma “missão impossível”, pois as chamadas variedades autoflorescentes não reagem às alterações do fotoperíodo da mesma forma que as variedades clássicas.

As culturas de tecidos não só dão muito menos trabalho, como também ocupam muito menos espaço, sem esquecer o facto já mencionado: o período de armazenamento praticamente ilimitado.

mikropropagace3

As vantagens das culturas de tecidos também se aplicam, naturalmente, a todas as pessoas que se dedicam à jardinagem em pequena escala. Graças a este método revolucionário, todos os cultivadores podem influenciar as características genéticas das plantas que cultivam.

Quais são as outras vantagens indiscutíveis da utilização de culturas de tecidos?

  • Quando se utilizam culturas de tecidos, o material genético das plantas é esterilizado várias vezes: durante a própria recolha e, posteriormente, durante a propagação. Assim, é praticamente impossível encontrar agentes patogénicos nos clones resultantes, pelo que as plantas adultas também se distinguem mais tarde por uma vitalidade e produtividade excecionais.
  • Por vezes, é desejável recuperar sementes muito raras que, no entanto, já têm vários anos. Isso é possível através da micropropagação num tubo de ensaio.
  • Alguma vez aconteceu apaixonar-se por uma das suas plantas-mãe e ficar de coração partido ao ver que a qualidade das estacas que retirou foi diminuindo com o tempo, até terem cada vez menos em comum com a planta dadora? Se sim, talvez saiba que, além da senescência, a causa mais provável era a acumulação gradual de doenças bacterianas, fúngicas ou virais em toda a linhagem de clones. E, como já sabe, nas culturas de tecidos, que têm origem num ambiente completamente esterilizado, seria em vão procurar agentes patogénicos.

Embora muitos cultivadores comerciais já utilizem culturas de tecidos com sucesso, este método de multiplicação de plantas continua a ser um terreno por explorar, sobretudo para os cultivadores comuns. Se gosta de desafios e de métodos inovadores, recomendamos que se informe melhor sobre a micropropagação. Se quiser colocar-nos alguma questão, teremos todo o gosto em receber as suas perguntas no endereço de e-mail habitual info@higarden.eu.

Recomendamos também estes produtos:

O que pode ler a seguir?